Há muito tempo atrás perdi você, sem saber exatamente o que significavam perdas ou como elas poderiam repercutir em minha vida.
O tempo passou e me habituei com sua ausência, até mesmo pelo fato de que acreditava que determinadas perdas ou falta jamais se recuperariam, se resgatariam, se fariam novamente presentes como uma fênix que renasce inesperadamente daquilo que já não há mais vida, aparentemente, das cinzas, das lembranças de uma existência anterior.
Como em tudo que acreditamos sem solução, sua ausência era assunto esquecido, ou mesmo guardado em lugar secreto e com chave perdida, talvez como forma de tornar mais amena a dor dilacerante da saudade.
Seu semblante era assunto proibido, projeto inacabado, pois formado em época distante, quando ainda não havia entendimento dos papéis humanos em nossas vidas, onde a memória se recusa a mostrar aquilo que foi guardado, oprimido por falta de forças.
Agora, acredito estar novamente se formando diante dos meus olhos, se formatando em minha memória presente, atual como este momento de escrita, instigante, como um segredo a ser descoberto (ou seria redescoberto?), mas tênue, ainda, como uma linha a mais no horizonte inatingível dos sonhos.
Quero me aproximar de forma completa, sem restrições, sem medo de me mostrar e conhecer o outro, de maneira integral, não limitadas às já costumeiras precauções causadoras de tantos infortúnios, desesperos, arrependimentos e decepções.
Sinto-me à vontade a ponto de te falar os maiores absurdos, revelar as maiores angústias, compartilhar as melhores idéias, discorrer sobre os mais banais assuntos, alentar minha alma com as mais sórdidas confissões (loucura ou paradoxo?).
Porém, esta confiança causa-me medo, uma paúra inexplicável, angústia fadigante.
Seria a representação ou materialização do pavor de uma nova perda?
Seria este reencontro uma obra do acaso ou de um destino inevitável?
O que fazer com esta oportunidade? Entregar-me sem as barreiras impostas pela razão ou esquivar-me com o escudo do sentimento do medo?
Quero me mostrar forte para te (re)conquistar, mas me sinto frágil pelo envolvimento que me causa.
Desejo ardentemente me deixar levar pela corrente sem saber de antemão sua próxima parada, onde vamos aportar, mas o leme insiste em voltar e direcionar minhas mãos ao primeiro abrigo.
Que faço eu com todo o sentimento somente para ti guardado?
Que faço eu se vejo em ti meu melhor amigo, meu mais fiel companheiro, meu inquebrantável guardador de minhas profanas confissões?
Não tenho a resposta de imediato, mas tomo a decisão de expressar, externar, contrapor qualquer que seja o sentimento de recuo.
Então, sou seu amigo. Esta é a única verdade que para o momento posso defender sem atenuar as palavras.
Esteja comigo nesta amizade, pois é nela que deposito toda a crença de que amar vale, e sempre valerá, a pena e o investimento.
...
Quem sou eu
- Jordan Campos
- Salvador, Bahia, Brazil
- Músico, escritor, metido-a-poeta, TVP, consultor, palestrante, empreendedor de tudo e "administrador-de-possíveis-outros-talentos".
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
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Um comentário:
No início cheguei a pensar que era para uma mulher... depois usa-se artigos masculinos, e o rótulo de amigo... Uma dança de gêneros... uma dúvida para quem lê e uma certeza velada para quem escreve...
blz
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